Eisoptrofobia

Sigo, constantemente,

apaixonada pelo fantasma,

fascinada pela evocação que minh’alma

causa ao passar pelo corpo lívido.

 

Ranhuro-me e, em meus vazios,

eu a semeio:

nos mais belos e escarrados versos,

nas lânguidas madrugadas intermináveis,

nos constantes desencontros de nossos lábios,

na atrocidade do inconsciente.

 

Enraíza-se anexa a minha coluna matinal.

Invento-lha hesitante, porém eloquente;

porventura, um bocado  concupiscente

no turvo limite de minhas incongruências.

 

Tal como Jekyll, liberto-a em meio ao choque

(recipiente e líquido, heterogêneos)

quando o vulto através do espelho

instala-se em minha retina.

Domina-me com o ardiloso toque

e se alastra: infravermelho.

Meteoro-logia

Num sonho, era Deusa
das mãos diluiam-se universos.

E os silêncios de todas as cores
encaixavam enigmas
em sinuosas silhuetas hesitantes
que se desbotavam.

(A vilania deste cérebro errante
cujas falhas sinapses escarra…)

Da monocromia, fez-se um ponto
Do grito, veio o espanto
que nenhuma antiga prece ou encanto
era capaz de apagar.

A voz, vacilante, por ora rasgava a terra
outra vezes, violenta, despencava em pranto.
E todo o céu se encontrava em mar
Oh! Céu-mar, céu-mar…

Minha boca sobre a tua
(I)mortaliza-se.