Eisoptrofobia

Sigo, constantemente,

apaixonada pelo fantasma,

fascinada pela evocação que minh’alma

causa ao passar pelo corpo lívido.

 

Ranhuro-me e, em meus vazios,

eu a semeio:

nos mais belos e escarrados versos,

nas lânguidas madrugadas intermináveis,

nos constantes desencontros de nossos lábios,

na atrocidade do inconsciente.

 

Enraíza-se anexa a minha coluna matinal.

Invento-lha hesitante, porém eloquente;

porventura, um bocado  concupiscente

no turvo limite de minhas incongruências.

 

Tal como Jekyll, liberto-a em meio ao choque

(recipiente e líquido, heterogêneos)

quando o vulto através do espelho

instala-se em minha retina.

Domina-me com o ardiloso toque

e se alastra: infravermelho.

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