Vampe

Somos as abortadas pelo sistema
curvilíneas pecadoras
Manchadas, por mais de 365 dias,
Mordidas pela maçã e pela serpente.

Somos as putas sincretistas
dos olhos oblíquos,
Que transmorfam dissabores
em imponência.

Somos milhões de Vênus
cultuadas enquanto souvenirs,
Porém discriminadas, oprimidas
e mutiladas em braços e cérebros
Pelo outro e por si mesmas.

Somos Joanas, Marias e Margaretes
orbitando debaixo de um mesmo Sol,
cuja fragilidade do sexo
não pode ser metida
no comprimento de um vestido.

Mulheres, bruxas do Mundo,
As que amaldiçoaram a raça humana
e cujos ventres a hospeda
com o feitiço da vida.

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Esta entrada foi postada em Poemas.

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