Memorial de um Sati

Há um desconhecido vazio que insiste em habitar minhas entranhas. Há um silêncio, distante e vinho, que cerca meus lábios. Beija-me, para que saiba que lhe amei. Enreda meu estranho ser, suas digitais afogadas em meu tecido. Trance elogios, enraíze-se em meu cérebro já expirado. Torne cada simples ato em uma ode. Eternize-me com véus quentes de nostalgia cítrica. Faça da bruxa uma repulsiva deusa, batize todas as insanidades com este poço de lágrimas.

E, antes que se preencha, deixe-me. Suspenda o coro. Que a cômoda escuridão possua o recipiente e, finalmente, pacifique-me. O horizonte lentamente se aproxima. Minha voz, definhada, adormece junto às pálpebras baixadas. Beija-me, uma última vez.

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